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‘Não sou de pensar no amanhã’, diz missionário católico pai de quatro filhos.

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Eder é missionário católico em João Pessoa e pai de quatro filhos (Foto: Aline Oliveira/G1)

Éder Queiroz Cavalcanti, de 34 anos, já se acostumou às perguntas que vira e mexe precisa responder: ‘vocês pararam, né?’, ‘como vocês têm coragem?’ e outras que revelam a surpresa das pessoas ao saberem o tamanho da família dele. São quatro filhos entre dez meses e seis anos. “A gente escandaliza. Todo mundo acha bonito, mas fica escandalizado”, admite. A resposta é: não, ele não parou.

Mas essas reações não assustam o missionário da Comunidade Católica Shalom, que vive em João Pessoa desde 2011 para cuidar da obra evangelizadora da comunidade na região e decidiu viver “de acordo com a vontade de Deus”. “É oportunidade de partilhar a minha vida”, garante. E assim ele vai espalhando sua experiência de ser o pai de Ester, de 6 anos, Josué, de 4, Judite, de 2, e Rute, de dez meses.

A família que Éder formou com a esposa, a também missionária Estela, já tem o dobro do tamanho médio na Paraíba. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Taxa de Fecundidade Total no estado era de 1,82 filhos por mãe em 2014. Mesmo dez anos antes, esse índice era de 2,27.

Mas a de éder pode ficar maior, se depender da disposição do casal. Nos tempos do namoro, quando sonhavam com o futuro, ele queria quatro filhos. Ela, bem mais ousada, oito. “A gente combinou ‘nem eu, nem você: a gente tem seis’ e resolvemos”, conta rindo.

A coragem, segundo o missionário, nasceu da absoluta despreocupação com o futuro – o dele e o dos filhos. “Não sou uma pessoa que pensa no amanhã. Valorizo viver cada dia. E nunca ficava imaginando como seria. Eu dizia ‘quando a gente tiver, a gente vê, a gente vai aprender’ e assim vivo”, lembra.

Pai de outros 23 missionários

A ‘vida diferente’ de Éder, no entanto, não para na casa cheia de crianças. Ele também é ‘pai’ de outros 23 missionários da Comunidade Shalom que moram e atuam em João Pessoa, para onde foi enviado especialmente para coordenar o trabalho dessa turma toda. Ele tem que tem que garantir o sustento físico e espiritual de todos eles, além dos filhos e da esposa, todos totalmente dependentes de doações para suprir todas as necessidades.

As duas identidades, portanto, se misturam na rotina de cuidados com as crianças, oração, pregações e burocracias para manter a casa e a comunidade em ordem e ainda atender às pessoas que procuram a comunidade em busca de ajuda. Mas ele não se queixa. O filho de pai empresário e mãe bancária e com um único irmão largou tudo isso e uma situação financeira confortável para viver exclusivamente para o trabalho de evangelização. “Troquei tudo que eu tinha por um bem maior”.

Na opinião do pai de Ester, Josué, Judite e Rute, essa experiência toda, além da proximidade que ele faz questão de ter na rotina, é o que de mais precioso ele pode oferecer às crianças. O que o futuro reserva ao quarteto é outra coisa que não o preocupa. “Se eu puder passar que é Deus que governa minha vida, não importa o que eles vão fazer na vida”, garante.

Rotina promove proximidade

Como é de se imaginar, a rotina de um pai de quatro filhos e responsável por orientar tanta gente não é exatamente simples. Éder acorda na madrugada para ajudar Josué a aprender a fazer xixi no banheiro e para ninar Rute. Às 6h ele está de pé, acorda os três mais velhos, arruma todo mundo, dá o café da manhã e leva a tropa para a escola. “No caminho, a gente reza e cada um escolhe uma música para cantar”, conta.

Depois, o casal e a caçula seguem para a Casa Comunitária da Shalom, onde passam a manhã em atividades de oração e formação, encerrando quase sempre com a missa junto com os demais missionários. De lá, correm pra pegar a turma na escola, almoçam os seis juntos e quando os filhos estão na soneca da tarde, Éder segue para a Casa de Evangelização, onde dá continuidade a seu trabalho como missionário.

No fim da tarde, Estela e as crianças se juntam ao marido e, segundo Éder, as crianças adoram ir para a comunidade: “não ir para lá é um castigo para eles”, contra entre risos. Lá, os outros missionários e jovens que participam das atividades ajudam cuidando das crianças enquanto Éder e Estela cumprem suas funções.

Folga e agenda especial para diversão

Algumas noites da semana são de folga e eles aproveitam como qualquer família: sessão de filme na cama dos pais, passeios na praia ou no shopping, visitas a amigos. Na quarta-feira, eles têm um momento de oração especial em família e as crianças participam ativamente. E nos fins de semana, a agenda missionária sempre é cumprida em família e o carro segue cheio.

Neste domingo (13), o carro vai ficar cheio de novo para aproveitar o Dia dos Pais, mas Éder vai inverter por alguns instantes os papéis, já que os pais dele chegaram de Fortaleza, no Ceará, para passar a data com o filho. “Mas não me sinto sozinho, sou bem pastoreado”, avalia se referindo ao suporte que recebe de seus acompanhadores na comunidade. G1

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