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CRM flagra superlotação no ‘Ortotrauma de Mangabeira’, em João Pessoa.

eePacientes que deveriam passar até 72 horas na área vermelha chegam a ficar mais de um mês. Falta de equipamentos e medicamentos também foram apontados pelo CRM.

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) realizou vistoria no Complexo Hospitalar Governador Tarcísio Burity (conhecido por Ortotrauma de Mangabeira), em João Pessoa, nesta segunda-feira (7). Pacientes que deveriam ficar até 72 horas na área vermelha, chegam a passar mais de um mês, segundo o CRM. Superlotação, manutenção predial precária, falta de equipamentos e de medicamentos, foram outros problemas encontrados.

Mesmo assim o CRM informou que o hospital não vai ser interditado agora pois “a unidade atende uma grande parcela da população e, em especial, pessoas mais carentes”.

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que a direção do Complexo Hospitalar de Mangabeira Governador Tarcísio de Miranda Burity (Ortotrauma) aguarda o relatório para dar as explicações necessárias sobre a fiscalização. Porém, esclareceu que a unidade hospitalar está em pleno funcionamento, realizando todos os tipos de atendimentos, inclusive cirurgias.

Segundo o diretor do departamento de fiscalização João Alberto Pessoa, “a situação do hospital praticamente não mudou em relação à fiscalização que fizemos há um ano. Os problemas persistem e pouco foi feito para sanar as inadequações que encontramos em outras inspeções”. O Conselho realiza fiscalizações no Ortotrauma desde 2015.

O CRM destacou que o tomógrafo, equipamento que capta imagens dos órgãos, ossos e demais detalhes das estruturas corporais do indivíduo, essencial para um hospital de trauma, está sem funcionar há seis meses por falta de uma peça.

Além disso, há um capnógrafo (equipamento que monitora o dióxido de carbono no corpo do paciente durante a cirurgia) para todo o hospital, provocando atrasos nos procedimentos cirúrgicos, segundo o Conselho.

Familiares levam roupas de cama de casa para cobrir os leitos dos pacientes que ficam na área amarela, diversas infiltrações, estruturas danificadas, falta de ventilação e climatização também foram identificadas no mesmo setor pelo CRM.

Durante a fiscalização, foi possível identificar pacientes aguardando atendimento no corredor por falta de leitos. Na área verde, a equipe constatou que havia pacientes aguardando há seis dias, em poltronas, encaminhamento para procedimentos.

Segundo o Conselho Regional de Medicina, em todos os setores que a equipe de fiscalização passou, pacientes e acompanhantes se queixavam da falta de estrutura do hospital.

Esclarecimentos da Secretaria de Saúde

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que “o Ortotrauma não tem problemas de superlotação, inclusive havia vagas no momento da fiscalização. Esta é uma unidade hospitalar de ‘porta aberta’ e realiza todo tipo de atendimento, mesmo no que se refere a casos não relacionados à sua especialidade, que é de cirurgia de urgência e emergência de áreas abaixo do joelho e abaixo do cotovelo”, diz o documento.

“A unidade hospitalar dispõe de medicamentos em suas farmácias e diversos equipamentos que auxiliam no diagnóstico dos pacientes, a exemplo de aparelhos de radiologia, ultrassonografia, endoscopia e de monitorização. São feitos exames de análises clínicas, inclusive para detectar infarto do miocárdio”, informa a nota.

Ortotrauma superlotado desde 2015

“É um hospital super povoado, com uma demanda muito grande e com centros cirúrgicos pequenos”. Essa foi a avaliação do diretor de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), João Alberto Pessoa, sobre o Hospital de Ortotrauma de Mangabeira em junho de 2015.

Na época, um vídeo foi gravado por funcionários onde mostra água suja vazando dentro de uma sala do hospital. A TV Cabo Branco foi ao complexo hospitalar e conversou com pacientes e familiares que denunciaram diversos outros problemas.

Novamente, em abril de 2016 o Conselho Regional de Medicina da Paraíba esteve no Ortotrauma de Mangabeira e encontrou mais irregularidades. Dessa vez, João Alberto Pessoa disse que “tinha baratas na enfermaria”.

“Pacientes que não podem sequer tomar um banho porque não têm como se secar e vão molhar o leito. O hospital não tem condições de funcionar e deveríamos interditar se o fechamento não causasse um caos ainda maior na saúde”, concluiu o diretor de fiscalização do CRM em abril de 2016. G1

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