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São Bento: Cidade das redes tenta sobreviver.

vvvvvvvvvvvvvvConhecida como a capital mundial das redes, o município sertanejo de São Bento, assim como os demais do país, também foi atingido pela crise econômica. No entanto, a queda na produção já vem ocorrendo há mais tempo, principalmente devido à concorrência com os tecidos e produtos oriundos da China. Para tentar reverter esse quadro, será realizado de 6 a 9 de setembro deste ano a I Expotêxtil, durante a Feira de Negócios e Empreendedorismo da Paraíba (Fenemp), a fim de alavancar a produção local de tecidos e redes.

O prefeito de São Bento, Jarques da Silva, estimou que, por ano, São Bento registra um consumo anual de 20 milhões de quilos de fios. “Toda cidade produtiva do país sofreu mais com essa crise e São Bento com certeza passou por isso. É um número absurdo de fios que a cidade compra do Brasil e de outros países do mundo. São Bento é, sem dúvidas, a capital mundial das redes”, frisou.

Para além dos problemas econômicos que – ainda – assolam o país, o gestor destacou que há uma crise muito maior em curso. “A crise maior e que tem deixado a população cabisbaixa é a crise moral, ética e política. Essa é até muitas vezes pior e por isso estamos fazendo a Expotêxtil em São Bento. Assim, queremos levantar a cabeça do cidadão. São Bento é uma cidade muito forte, que tem uma capacidade produtiva muito grande e por meio desse incentivo vamos levantar e superar o desafio de inovar e crescer mesmo dentro de uma crise desse tamanho”, argumentou.

Um dos efeitos óbvios da crise é a geração de emprego, ou melhor, o fechamento de vagas de trabalho, tanto formais quanto informais. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego apontou que, nos primeiros seis meses deste ano, houve uma queda de 0,68% na criação de emprego com carteira assinada em São Bento em relação ao mesmo período do ano anterior. Desta forma, enquanto 167 pessoas foram contratadas na cidade, 177 foram desligadas, conforme o Caged. Por seu turno, em 2016 houve uma redução de 2,69% nas vagas de trabalho formais em comparação ao ano anterior. Por também ter um grande número de trabalhadores que atuam na informalidade, os números podem ser ainda maiores.

Concorrência desleal

Para o prefeito Jarques da Silva, a concorrência com os produtos chineses certamente prejudicou a produção e exportação das redes e panos de prato de São Bento. “A China é destaque mundial, abalou todas as relações comerciais e dificultou muito a produção têxtil de São Bento por causa dos plásticos que eles produzem. Além disso, eles têm uma relação de trabalho que não existe aqui no Brasil e nem em outros países. Sem dúvida nenhuma, a China abalou todos os mercados e temos de discutir essas questões para inovar. Não podemos parar, reclamar e ficar estáticos. Mesmo diante da crise e de todas as dificuldades, vamos fazer a feira”, salientou.

A I Expotêxtil, de acordo com o gestor, vai reunir negócio, cultura e artesanato em prol do resgate econômico de São Bento. “Com certeza conseguiremos voltar a sermos grandes, como sempre fomos, e voltaremos a ser a capital mundial das redes, mas de maneira maior, com esperança, força e lutando pela sociedade”, frisou. Na feira, serão mais de 80 estandes, tanto de São Bento quanto de outras cidades da região que vão participar do Fenemp.

Crescimento do desemprego

Outro ponto negativo destacado pelo prefeito de São Bento causado pela informalidade é a imprecisão quanto à produção local. “A informalidade é ruim porque muita gente produz e não sabemos dessa produção. Ao andar pelas ruas da cidade, percebemos alguns produtores familiares, mas não temos a noção exata nem da produção e nem do quanto se perdeu com a crise. Sabemos que grandes fábricas demitiram e, o pior, deixaram de contratar. Então, é muito perceptível como a crise afetou a cidade”, argumentou.

O que acontece no cotidiano da cidade também é prova contundente de que a crise atingiu a todos de forma a, inclusive, modificar comportamentos sociais. “Um grande empresário do setor têxtil e que já foi prefeito da cidade, no início da década de 1980, me contou que, quando foi prefeito, ninguém queria emprego na prefeitura. Hoje em dia, todo mundo quer uma vaga na prefeitura. Isso é uma demonstração clara e muito ruim de que a cidade andou para trás”, avaliou.

Acerca disso, o prefeito comentou que a prefeitura não é cabide de empregos. “A prefeitura é um lugar de gestão e não se pode dar emprego por política. Tem que ser por concurso, principalmente, ou por capacidade técnica. Então, essa é realmente uma demonstração abstrata, mas clara, do quanto São Bento andou para trás, mas não vai andar mais”, frisou.

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