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Na Paraíba são mais de 541 mil crianças e adolescentes em situação de pobreza.

53204Mais de 541 mil crianças e adolescentes encontram-se em situação de pobreza na Paraíba, vivendo com renda familiar de até ½ salário mínimo. O número, que representa quase 60% da população pesquisada, revela uma realidade nada conveniente: o Estado ainda está aquém dos investimentos necessários para o desenvolvimento dos mais jovens.

A pesquisa “A Criança e o Adolescente nos ODS – Marco Zero dos principais indicadores brasileiros – ODS 1, 2, 3 e 5”, divulgada hoje pela Fundação Abrinq, destaca também que mais de 217 mil paraibanos entre 0 e 14 anos (23,9% da população analisada) encontram-se em situação domiciliar de extrema pobreza, vivendo com até ¼ de salário mínimo por mês. Neste quesito a Paraíba ocupa a 5ª pior taxa do país, destaca o estudo que usa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/2015).

Os números do Estado são piores que a média brasileira, que apresentou 40,2% desta parcela da população de 0 a 14 anos em situação de pobreza, e 13,5% em situação de extrema pobreza. O Nordeste é a região com as taxas mais alarmantes: 60,6% (8,4 milhões) destes jovens estão em situação de pobreza e 26,3% (3,4 milhões) em extrema pobreza.

Na avaliação da administradora executiva da Fundação Abrinq, Heloisa Oliveira, os dados revelam a carência em ações efetivas para a juventude. “Os indicadores de vulnerabilidade social são consequências da qualidade de vida da população. Os Estados do Nordeste têm maior concentração de pobreza, resultado falta de investimentos em políticas como habitação, saúde e educação”, disse.

A especialista conclui que, sem os investimentos adequados, diversas crianças e adolescentes têm o pleno desenvolvimento interrompido. “Se o país não investir de forma prioritária na promoção dos direitos das crianças e dos adolescentes, nenhum desenvolvimento econômico terá sustentabilidade. As crianças de hoje serão os adultos de 2030”, disse Heloísa Oliveira.

Faltam políticas públicas. A representante da Fundação Abrinq reforça que, além do indicativo da renda familiar, é preciso um conjunto de ações que desenvolvam as regiões mais carentes. “O enfretamento à pobreza, no sentido mais amplo, não é só investir em políticas de renda. Temos que exigir dos governantes mais investimentos para as região que mais precisam”, disse.

Em uma das comunidades mais pobres de João Pessoa, a Comunidade do ‘S’, no bairro do Róger, a sensação de abandono é constante. Dona Rosalina Ribeiro, de 62 anos, mora há 22 anos na região. Na sua casa vivem 6 netos e 5 filhos, dos quais só 2 trabalham.

“A gente vive com o pouco que recebemos do Bolsa Família e do dinheirinho que meus filhos recebem. O maior problema aqui é que não temos posto de saúde funcionando. Se uma criança adoece precisamos tirar do dinheiro que quase não temos”, disse Rosalina.

Outra que conhece bem a realidade é Maria Aparecida de Oliveira, de 24 anos. Ela vive com um filho de 2 anos e mais nove pessoas, das quais só uma trabalha. “A gente vive com um salário mínimo. O Bolsa Família não dá para todos os gastos com meu filho. Se ele fica com febre nem adianta ir no posto de saúde porque lá não dão nem dipirona, dizem que a Prefeitura não mandou medicamento, que não têm nada”, disse.

7,1% das crianças nasceram com peso inferior a 2,5kg

Ainda de acordo com a pesquisa Marco Zero, 7,1% das crianças paraibanas analisadas nasceram com menos de 2.5 kg. Quanto menor o peso ao nascer, maior a probabilidade de morte precoce, alerta o estudo. Os dados mostram também que 3.402 crianças menores de 5 anos estavam abaixo do peso (magreza acentuada) em 2016, cerca de 3% da população pesquisada. No Brasil são quase 110 mil (3,1%) crianças desnutridas. A taxa de desnutrição, apesar de perto da média nacional, é uma das menores do Nordeste.

Governo e Prefeitura. A secretária de Estado de Desenvolvimento Humano, Cida Ramos, informou que a Paraíba possui 504 mil famílias beneficiadas pelo Bolsa Família e explicou as ações realizadas. “O Governo do Estado tem feito um esforço enorme para implantar políticas públicas para crianças e adolescentes. Temos o Cartão Alimentação, que complementa renda. Somos o único Estado a pagar o abono natalino aos beneficiados do Bolsa Família, além dos Restaurantes Universitários e do cofinanciamento na Proteção Básica e Especial, direcionadas às crianças e adolescentes”, disse.

De acordo com a direção do Distrito Sanitário IV, Da Secretaria Municipal de Saúde, todas as três unidades do Roger estão abastecidas com medicamentos e insumos. O que pode ter ocorrido é que esses usuários sejam da USF Roger III, a qual os medicamentos são repassados para o usuário na farmácia da USF Integrada Roger I e II, que já está dentro do sistema de polarização das farmácias da Atenção Básica da Rede Municipal de Saúde.

107 indicadores apontados

A pesquisa Marco Zero aponta 107 indicadores sociais da infância e adolescência revelando, principalmente, quais são os territórios brasileiros e populações que apresentam maior debilidade em relação ao restante do país. A pesquisa utiliza em seu referencial dados de diversos órgãos, como IBGE e Ministério do Desenvolvimento Social.

Os dados de pobreza e extrema pobreza levam em consideração a renda domiciliar per capita, definida pela soma de todos os rendimentos dos residentes em uma unidade domiciliar divido pelo número de habitantes desse domicílio. A pesquisa utiliza como base de análise o salário mínimo federal no ano de 2015, que era de R$ 788,00.

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