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Advogado derruba ‘reinado’ de 40 anos de José Maranhão em Araruna.

vital-costa-800x450A série de reportagens apresentando fenômenos eleitorais nas eleições municipais deste ano na região Nordeste, realizada pelo blog do Magno Martins, de Pernambuco, em parceria com o Portal MaisPB, mostra, nesta terça-feia (06), o advogado Vital Costa (PP), que derrotou o império de 40 anos do senador José Maranhão (PMDB) em Araruna.

Reinado dos Maranhão chega ao fim

ARARUNA (PB) – Senador da República com mandato renovado nas eleições de 2014, José Targino Maranhão (PMDB), que governou a Paraíba em três oportunidades, também dominava com mão de ferro Araruna, a sua terra natal, há 40 anos. O reinado chegou ao fim nas eleições deste ano por um velho adversário. O advogado Vital Costa, prefeito eleito pelo PP, tirou o clã do poder depois de disputar a Prefeitura pela quarta vez. Se somadas as três eleições proporcionais que perdeu também para deputado, Costa, na verdade, estava nesta luta há sete pleitos seguidos.

Em 2004, quase se elege prefeito. Perdeu por pouco mais de 1% dos votos para Availdo Azevedo, do PSB, apoiado pelo grupo Targino Maranhão. O socialista teve 50,96% dos votos contra 49,04% dele. Enfrentando em 2012 a mesma adversária que agora derrotou, Vital perdeu por uma diferença bem maior: 44,5% a 34,77% dos votos válidos. Mas como “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, foi à desforra no pleito de outubro passado e, finalmente, venceu a primeira batalha.

Nas ruas, o povo comemorou com samba, carnaval e até axé baiano. Era a certeza de que os Maranhão começavam a ser banidos e Wilma Maranhão, irmã do ex-governador e mãe do deputado federal Benjamim Maranhão (PMDB) e da ex-deputada estadual Olenka Maranhão (PMDB), carimbava sua aposentadoria como prefeita imposta pelo povo. “Não foi fácil derrotar um grupo tão forte, liderado por um ex-governador no exercício do seu segundo mandato de senador, mas, enfim, a população despertou”, traduz Costa.

Para ele, o sentimento de mudança imperou e Araruna se libertou. “Eles governaram durante décadas a Prefeitura com mão de ferro, sem diálogo e um modelo administrativo ultrapassado. Nossa gestão será transparente e democrática com permanente diálogo com a população de Araruna, diferente do que observamos nos últimos 40 anos em que o município teve que conviver com um governo único”, afirmou.

Para por abaixo a dinastia, que não conseguiu nas outras seis seguidas tentativas, Vital Costa desequilibrou o jogo atraindo o apoio do ex-prefeito Availdo Azevedo (PSB), para quem havia perdido em 2004. Também trouxe para a sua coligação o vice-prefeito Iran Motos, presidente municipal do PSL e considerado velho aliado dos Maranhão. Agregou, ainda, vereadores insatisfeitos e até parentes próximos da prefeita que não engoliram a escolha do seu candidato, Luiz Azevedo do Nascimento, o Lulinha, derrotado por uma frente de 1.443 votos.

Abertas as urnas, Vital obteve 5.860 votos (57.02%) contra 4.417 votos (42,98%). Em 51 seções, 492 eleitores anularam o voto e 198 votaram em branco. Dos 11 vereadores, a coligação majoritária vitoriosa elegeu seis, entre os quais o novato Caio Ludgerio (SD), terceiro mais votado, com 848 votos, que já teve toda a sua família no palanque da prefeita em eleições passadas.

“Historicamente, sou do grupo de Availdo”, diz, referindo-se ao primeiro nome escolhido por Vital para vice na chapa, mas trocado no prazo final devido a complicações envolvendo a lei da Ficha Limpa. Quando prefeito, Availdo as contas de 2007 rejeitadas pela Câmara de Vereadores e ficou inelegível. “A vitória de Vital se deve muito à prepotência e a arrogância do grupo Maranhão”, constata o vereador Caio.

Casado com uma irmã do senador José Maranhão, o médico João Bosco Teixeira foi um dos que se rebelaram na família, apoiando a candidatura do prefeito eleito. “Não concordei com a escolha do candidato e achei que havia chegado a hora de dar uma oportunidade a um político tão preparado”, justifica, para acrescentar: “A nossa terra carece de uma administração voltada para o progresso e para o desenvolvimento. Araruna é um celeiro de grandes homens, tem um marco histórico na história da Paraíba. Precisa de pessoas que realmente estejam compromissadas com o progresso e o desenvolvimento, como Vital”.

Wilma Maranhão, que está fazendo uma discreta e lenta transição, é acusada pela oposição de deixar um leque de obras inacabadas, a maior delas a Vila Olímpica e um calçadão ao lado, investimentos que, juntos, superam a cifra de R$ 4 milhões e que vinham sendo tocadas com verbas da Caixa Econômica Federal. Com vocação turística, devido ao seu clima e sua posição geográfica montanhosa, Araruna vive, hoje, um caos administrativo, na expressão do prefeito eleito.

“Araruna virou um canteiro de obras inacabadas, como o acesso pavimentado ao centro ecológico da Pedra da Boca, a vila olímpica e o calçadão”, diz Vital, que já esteve em Brasília e constatou que o município perdeu recursos de emendas ao orçamento. Com o apoio de apenas uma liderança estadual que esteve no seu palanque, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, ex-ministro da Integração, ele já esteve nos Ministérios de Turismo e Cidades tentando recuperar recursos que haviam sido locados e não liberados. “Vamos investir naquilo em que Araruna tem de mais atrativo, que é a sua vocação turística”, afirma.
Frio e turismo ecológico puxam o turismo

Localizada na região brejeira do Curimataú paraibano, Araruna, com uma população de 19 mil habitantes, está numa posição geográfica privilegiada, em cima de uma serra, com clima extremamente agradável. Tanto que é conhecida como a terra da garoa ou a “Serra do frio”. Fica distante apenas 165 km de João Pessoa, 110 km de Campina Grande e 120 km de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Sua grande vocação é o turismo, com destaque para o turismo ecológico puxado pela famosa Pedra da Boca, onde está localizado o Santuário de Nossa Senhora de Fátima.

A história de Araruna começa entre 1830 e 1840 quando Feliciano Soares do Nascimento erigiu uma capela em louvor a Nossa Senhora da Conceição. Em torno da capela surgiram as primeiras casas que deram origem ao povoado. Em 1854, pela Lei provincial nº 25, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Serra de Araruna. Sabe-se que o território de Araruna era propriedade de um senhor residente em Bananeiras, chamado Estêvão José da Rocha.

Trata-se de coronel da Guarda Nacional, popularmente conhecido por “Barão de Araruna”, título nobiliárquico concedido pelo imperador do Brasil, devido sua grande influência política no agreste paraibano, onde foi proprietário de muitos lotes de terra no alto da Serra da Araruna durante os idos dos anos 1800.

Araruna, antigo distrito criado em 1854 e subordinado ao município de Bananeiras, recebeu status de município pela lei provincial nº 616, de 10 de julho de 1876. A 10 de julho de 1876, o presidente da Província da Paraíba, o Barão de Mamanguape, sancionou a Lei nº 616, criando o município de Araruna. O ato solene de instalação do município só ocorreu a 11 de julho de 1877, quando tomaram posse os seguintes vereadores: Manuel Januário Bezerra Cavalcanti, presidente, Manuel d’Azevedo Belmont, João Timóteo Queirós, Targino Pereira da Costa e Joaquim Cassiano Bezerra.

Desde as suas origens, o município de Araruna esteve sob os domínios políticos da família Bezerra Cavalcanti, entrelaçada com os Carneiro da Cunha, influentes na política não só de Bananeiras, a que estava ligada Araruna, como na política da província. A partir da primeira década do Século XX, a família Targino Maranhão passou a dominar politicamente Araruna. Um domínio que, salvo um pequeno período no Estado Novo, vem se confirmando até os tempos atuais.

O desenvolvimento urbano de Araruna operou-se em três períodos distintos: o primeiro se deu entre a formação do povoado e 1908, quando se iniciou a construção do Mercado Público. O segundo se estende entre a construção do Velho Mercado até 1967, quando foi construído o Mercado Novo. O terceiro período começa com a inauguração do Mercado Novo e se estende até nossos dias.

A divisão administrativa do município tem sofrido várias modificações ao longo do tempo. Na divisão administrativa de 1901, figura com três distritos: Araruna, Tacima e Riachão. Na de 1933, aparece um único distrito: Araruna. Outra alteração aparece nas divisões territoriais de 31.12.1936 e 31.12.1937, onde volta a figurar com três distritos: Araruna, Tacima e Cacimba de Dentro. Em 15 de novembro de 1938, em virtude do Decreto-lei estadual nº 1.164, recebeu foros de município. A comarca foi criada pelo Decreto-lei estadual nº 39, de 10 de abril de 1940.

MaisPB

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