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Na Paraíba: Peritos denunciam caos no IPC, onde usariam até coletes vencidos.

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Uma semana após o blog publicar matéria sobre os problemas enfrentados na Central de Polícia de João Pessoa, onde os policiais precisam fazer vaquinha para comprar café, água e até papel higiênico, é chegado o momento de revelar a situação nas dependências do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC). Embora alguns investimentos em tecnologia tenham sido feitos nos últimos anos, a Polícia Científica (responsável por encontrar as provas materiais de crimes) continua trabalhando em uma estrutura ultrapassada no bairro do Cristo Redentor.

À reportagem, peritos informaram que no IPC falta não apenas o café, como também materiais básicos – e essenciais para a execução do trabalho. Na lista estão pilhas para os aparelhos de GPS, que estão faltando há alguns meses. E a falta de câmeras, o que obriga os peritos a usarem os próprios celulares para fotografarem as cenas de crimes ou acidentes, Equipamento de Proteção Individual (EPI) – tem luva, mas falta máscara – e material de expediente.

Na semana passada, os peritos receberam uma recomendação: os laudos precisam ser impressos em frente e verso para economizar papel. A princípio, a recomendação pode soar como uma preocupação ambiental, mas os peritos garantem que não. “Falta material de trabalho, muitas vezes tive que levar papel A4 de casa para imprimir laudos”, afirmou uma perita, pedindo o sigilo da fonte. A recomendação é válida para todas as unidades de criminalística e de medicina legal do Estado.

Outro problema estrutural no IPC diz respeito aos veículos quebrados, abandonados no pátio da unidade – o que pode explicar a demora da perícia em chegar aos locais de crime, quando solicitada pela autoridade policial. Apenas os carros locados pelo Governo do Estado estariam autorizados a sair quando os peritos são chamados.

A lista de reclamações dos peritos inclui ainda a pouca quantidade de coletes à prova de bala. São apenas dois para uma equipe de 16 profissionais. Diante da falta de material, eles precisam entrar em um acordo para decidir quem vai às ruas com o colete. Mas não adianta muita coisa: os coletes estão vencidos desde agosto de 2012.

Na sala onde são feitos os exames cadavéricos, faltam lâmpadas para iluminação do local, o que é de extrema importância, segundo um dos peritos. “A verdade é que trabalhamos no limite. Há muita cobrança, mas a estrutura é precária. Não temos sequer sabonete líquido nem álcool gel para lavar as mãos após os procedimentos de manuseio com os cadáveres”, declarou o perito.

Embora os problemas estruturais sejam muitos no IPC, é importante destacar que o nível de capacitação dos peritos que atuam no Estado é considerado um dos melhores do país. Boa parte dos profissionais ingressou através de concurso público realizado em 2008. No entanto, o quadro de pessoal continua insuficiente diante da demanda existente.

Resposta do IPC-PB

Por email, a direção do IPC-PB negou todas as reclamações feitas pelos peritos. Sobre a falta de pilhas, a resposta foi que as máquinas funcionam com bateria e que o uso do celular não é padrão, “havendo, inclusive, determinação para que não seja utilizado”. E quando o é, a responsabilidade é do servidor. Sobre a impressão em frente e verso, a direção confirmou a orientação e disse que isso tem a ver com a consciência ecológica e o desperdício de papel, e que essa medida não causa prejuízo ao trabalho.

Sobre a falta de café a água mineral, o IPC disse que não falta água e que café não é responsabilidade do Instituto. A direção informou ainda que fornece sabonete líquido, papel higiênico e papel-toalha, “contudo, os servidores podem utilizar seus próprios materiais se considerarem de melhor qualidade”.

Por fim, a direção explicou que todos os servidores que necessitam de máscaras para trabalhar estão com equipamentos novos, além de macacão do tipo tyvek, “que dá segurança para manipulação em locais de crime nos quais há cadáveres em decomposição”. rubensnobrega/2016/09/16

(Valéria Sinésio)

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