Início > Uncategorized > PARABÉNS! João Pessoa! 431 anos.

PARABÉNS! João Pessoa! 431 anos.

pbNossa Senhora das Neves. Este foi o primeiro nome da cidade de João Pessoa, que completa 431 anos nesta sexta-feira (5). Como se pode perceber, a ligação da Capital paraibana com a religião vem desde o seu “nascimento”. Em sua história, a terceira cidade mais antiga do país já passou por vários períodos, e uma coisa que sempre esteve presente em todo este tempo foi a fé, tanto dos seus moradores, quanto dos conquistadores.

Assim como o restante do Brasil, João Pessoa tem ligação com a religião desde sua “descoberta”. Com a chegada dos portugueses, os jesuítas tiveram uma influência direta na região, com a ideia de implementar o catolicismo. Porém, de acordo com o professor e um dos fundadores do curso de Ciência das Religiões, da UFPB, Severino Celestino, essa catequização não foi tão simples quanto se esperava.

“Claro que a religião indígena é anterior. Eles eram os filhos da terra, então eles tinham seus cultos. É tanto que a colonização de João Pessoa começou com os Tabajaras e Potiguaras que eram as tribos mais influentes aqui e os portugueses tiveram que fazer um pacto para os índios se curvarem a eles para poder conquistá-los, para a partir daí se pudesse iniciar a questão religiosa. Não foi tão simples. A história mostra que teve confronto, houve uma dificuldade e teve que haver um pacto para poder eles aceitarem os novos colonizadores”, explicou.

De acordo com Celestino, João Pessoa ainda é uma cidade muito ligada com a religião, assim como boa parte do povo brasileiro. E isto pode se perceber com a interferência que a fé tem no andamento da cidade.

“João Pessoa é uma cidade predominantemente religiosa e ainda há um clima de muito respeito. O comércio fecha quando procissão vai passar. Interfere diretamente no andamento da cidade. Significa que o povo ainda é ligado à questão espiritual, independente de qual seja a religião”, disse.

Religiões predominantes na cidade

Celestino explica que, apesar do catolicismo ter imperado na Capital paraibana, como no Brasil em geral, por vários anos, as outras religiões conseguiram se instalar e hoje têm seus espaços na fé dos pessoenses. Ele cita que as principais religiões ocidentais já se instalaram em João Pessoa, mas em relação às orientais, ainda não se tem muito avanço neste sentido.

Segundo o professor, além do protestantismo, em todas as suas vertentes, João Pessoa tem sedes de religiões de matriz africana, espiritismo e até uma mesquita, pertencente ao Islamismo, que fica no Bairro dos Estados. Para ele, das religiões mais tradicionais, ainda falta uma sinagoga na cidade.

“Deveríamos ter uma sinagoga. Mas falta principalmente as orientais. As ocidentais todas têm. Inclusive os culto afro-brasileiros que foram religiões africanas trazidas pela escravidão. Aqui tem também a Seicho-No-Ie, que é uma religião digamos assim, mais nova, mais espiritualista, que tem muitas raízes, aqui tem grupos, mas instituídas mesmo mais para São Paulo, Recife. O que impera aqui são as tradicionais”, disse.

Dificuldades

Uma festa religiosa que já está marcada no calendário dos pessoenses é a festa de Iemanjá, que acontece todo dia 8 de dezembro na orla da praia de Tambaú. Porém, há pouco tempo essa festa não seria permitida em nosso estado.

“Para se ter uma ideia, nos anos 70 na Paraíba era proibido os cultos afro-brasileiros. Quem liberou isto aqui foi João Agripino. A festa de Iemanjá, lá na praia de Tambaú, era proibida até os anos 70. Eu era acadêmico e eu me lembro que João Agripino foi ovacionado porque liberou os cultos, é tanto que eles cantavam pedindo a Iemanjá proteção ao governador que tinha liberado. E essa perseguição surgiu com a Igreja. Aqui na Paraíba foi muito forte isto. Nós tínhamos aqui grandes cultos afro-brasileiros. Os cultos afro-brasileiros sofreram muita oposição. O espiritismo também sofreu perseguições no início. O governo militar quis prender pessoas e fechar muitos centros espíritas no Brasil, inclusive aqui na Paraíba. João Pessoa passou por tudo isto. Mas hoje a Constituição Federal decretou que o Brasil é um país laico e inclusive é crime preconceito religioso”, afirmou.

Recado

Para Celestino, essa pluralidade de religiões é importante. Ele reforça que o respeito tem que prevalecer acima de tudo. “A igreja católica sempre foi predominante, nunca deixou de ter suas procissões, novenas, seus encontros semanais. Do lado protestante, os cultos e as igrejas são lotadas e a doutrina espírita inclusive cresceu muito na Paraíba. Os culto afro-brasileiros também, porque quando entra a questão do estado laico, há respeito, embora haja preconceito entre as religiões. Tem que ter respeito pelo diferente. A gente pode ter diferenças, mas isso não impede que a gente se ame, que Jesus esteja presente, porque nenhuma desses religiões é contra Deus”, finalizou.Religiões-Paraiba

Líderes religiosos

O Pastor Estevam, da Primeira Igreja Batista, contou que “o protestantismo chegou à Paraíba, primeiramente na cidade de João Pessoa, somente no início do século XX. As duas primeiras igrejas protestantes aqui instaladas foram: A Igreja Presbiteriana e a Primeira Igreja Batista. Os presbiterianos chegaram primeiro, por volta de 1910, e os batistas em 1914. Essas duas igrejas fazem parte do chamado protestantismo histórico, isto é, igrejas fundadas a partir do movimento da Reforma, no século XVI, na Alemanha de Martinho Lutero, monge agostiniano à época”.

Segundo o Pastor, houve uma forte oposição e perseguição promovida pela Igreja Católica Romana. “Naquela época era grande o preconceito e a intolerância contra os chamados “hereges”. Apesar das muitas pressões contrárias promovidas pela cúria romana de então, as duas igrejas iam se fortalecendo. Um dos principais fatores que contribuíram tanto para o crescimento como para o fortalecimento dos grupos protestantes em nossa cidade, dentre outros, foi o fato de que muitas famílias tradicionais, com relativo prestígio político e financeiro, aderiram à fé dos “crentes”. Esse fenômeno sócio-religioso ocorreu primeiramente entre os presbiterianos, depois continuou entre convertidos batistas”.

O Pastor explicou, ainda, que a PIB foi organizado em 19 de janeiro de 1914, com a participação inicial de pouco mais de 30 pessoas. Sua primeira celebração de batismo ocorreu às margens do Rio Jaguaribe. Seu primeiro templo foi em uma casa na Avenida Capitão José Pessoa, em Jaguaribe, e depois, o segundo, na Avenida Índio Piragibe, no Centro. Nos meados dos anos 50, a igreja começou a construção do seu templo atual, na Avenida Getúlio Vargas, Centro. “A PIB já uma igreja centenária, com 102 anos de presença em João Pessoa. Ela é a mãe de todas as demais igrejas batistas da cidade e do Estado”.

E ele deixou um recado para os pessoenses. “Sou sertanejo, de Princesa Isabel, mas amo a cidade João Pessoa. Aqui vivi a minha vida e me realizei como pessoa e como ministro do evangelho. Aqui eu sou feliz! Tive a honra de me tornar Cidadão Pessoense, por outorga da Câmara Municipal em 2005. Tenho orgulho de ser pessoense por adoção. Meu coração pulsa ao ritmo das ondas de Tambaú, e os meus pulmões se nutrem com o saudável ar da Mata do Buraquinho. Espero que todos tenhamos uma cidade mais humana, mais segura, cada vez mais tolerante com as suas minorias, uma cidade que promova a vida e a dignidade para os que vivem aqui. Minha oração contínua é para que Deus nos faça “pontes” e não “muralhas”. Pessoas capazes de construir caminhos para o amanhã, pavimentados de esperança e paz, para todo os que virão depois de nós: nossos filhos, netos e bisnetos. Um cidade que olhe para trás e não tenha vergonha de si. Oro para que Deus nos dê um lugar para viver e sonhar, onde o futuro cada vez mais perto de todos. PARABÉNS JOÃO PESSOA!”.

Catolicismo

O Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba, Dom Genival Saraiva, tratou um pouco sobre o tema em seu artigo publicado no dia 31 de julho no Jornal Correio da Paraíba. Lá, ele escreve: “A história da Paraíba está sendo lida, no momento, ao se comemorar sua fundação, no dia 5 de agosto de 1585. Nessa leitura, um aspecto necessariamente está presente – a fé. Desde os primórdios da Província e do Estado da Paraíba, o legado da fé católica, ao lado da vivência espiritual e da prática religiosa dos fiéis, tem traços identificados na cidadania porque uma evangelização inculturada cria raízes cidadãs.

No calendário litúrgico, a Igreja Católica celebra, no dia 5 de agosto, a Festa de  Nossa Senhora das Neves. Por isso, a história da Paraíba e da Capital da Paraíba está vivamente unida a Nossa Senhora das Neves, nesses 431 anos da sua existência.

Nesse sentido, é importante destacar esse outro elemento que está na raiz da cidadania paraibana – a devoção dos fiéis a Nossa Senhora das Neves. Além de ser conscientemente preservado, esse valor da cidadania e da espiritualidade mariana precisa ser cuidadosamente estimulado junto às pessoas e misericordiosamente transmitido às gerações que se distanciaram ou não se aproximaram de Deus, sob pena de não se construir a ponte da justiça social, da evangelização transformadora, da devoção renovadora.

A Arquidiocese da Paraíba, em razão da sua vacância, em alegre espera, deposita nas mãos maternas de Nossa Senhora das Neves, sua Padroeira, a causa da nomeação do próximo Arcebispo Metropolitano, “princípio visível de unidade e comunhão”, “mestre da fé, santificador e guia espiritual”. Que a história da Paraíba continue sendo escrita com fé em Deus e seja alimentada pela devoção a Nossa Senhora das Neves!”

Espiritismo

A reportagem entrou em contato com a Federação Espírita da Paraíba por diversas vezes, mas as ligações não foram atendidas.

Religiões de matrizes africanas

O presidente da Federação Cultural Paraibana de Umbanda, Candomblé e Jurema, Pai Beto de Xangô falou um pouco sobre a origem das religiões de matriz africana em todo o Brasil e também em João Pessoa. “Por volta de 1908 surgem as religiões de matriz africana de forma mais organizada e a umbanda torna-se a primeira religião oficializada do Brasil, espalhando-se por todo os território nacional, inclusive na Paraíba e em João Pessoa”, explicou.

Pai Beto lamentou ainda a perseguição e o preconceito sofrido pelos praticantes das religiões afro. “Até os dias atuais há atos deste tipo em atentado contra o povo de terreiro, seja ele, umbanda, candomblé ou jurema. Mas é importante salientar que, os Juremeiros e benzedeiros eram tão perseguidos que, ao morrer, a polícia apanhava o corpo para incinerá-lo pelo medo de que, mesmo morto, o corpo tivesse algo de feitiçaria. Contam os antigos que, para garantir o direito de preservar seus mortos, ao morrer um Juremeiro, enterravam em lugar desconhecido pelas autoridades e, em cima deste corpo, era plantado um pé de jurema dedicado àquele mestre juremeiro para que fosse cultuado para fazer-se o bem a quem precisasse, mesmo em outro plano espiritual”, disse.

Ele também deixou seu recado para os pessoenses. “Muito me orgulho de ser paraibano de uma das capitais mais belas do mundo. Todos os seus filhos e filhas devem preservá-la desta forma porque, como uma das cidades mais antigas no Brasil, traz em seu seio a junção da cultura do povo paraibano, João Pessoa é a Paraíba em gestos, ações e natureza. Desejo a nós todos pessoenses, muita felicidade no aniversário de nossa cidade. Axé!”.

Anúncios
Categorias:Uncategorized
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: