Sobre política e violência
A coluna hoje abre espaço para uma reflexão bastante lúcida do professor de Filosofia, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Carlos Alberto Jales, que é diplomado pelo Instituto de Desenvolvimento de Paris. Ele comenta as razões que levaram a Paraíba a estar onde está. Leiam:
“É impressionante o servilismo, o medo, a submissão, a omissão de governantes, gestores, parlamentares, empresários, líderes de classe, sindicatos do Estado da Paraíba frente ao Governo Federal. O fato de a presidente Dilma Roussef não ter visitado recentemente nosso Estado é apenas um ponto dentro do quadro do descaso em relação à nossa terra. A Paraíba é apenas um acidente no mapa do Brasil. O PAC não chegou aqui, o Porto de Cabedelo sofre há anos prejuízos incalculáveis por falta de investimentos, a Ferrovia Trasnordestina não passará em nosso território, há muito tempo nenhuma obra estruturante é anunciada e construída para melhorar nossa vida econômica e social.
No nosso Estado, infelizmente, tudo gira em torno de eleições, pois confundimos a democracia com o voto, e confundimos também a Política, arte do bem-comum, com as estratégias de nos apoderar do orçamento, seja no plano estadual, seja no plano municipal. Eleição é apenas uma das fases de uma democracia, nem sendo mesmo a mais importante.
Uma lástima, uma calamidade pública que assistimos de braços cruzados, esperando o milagre de alguma liderança que nos tire do fundo do poço. Em tempo: nada mudará para nós, com a chegada de um Deputado Federal ao posto de Ministro das Cidades. Continuaremos a ser o mesmo estado pobre, um zero à esquerda no Pacto Federativo. Que fizeram pela Paraíba os vários ministros nascidos aqui para nos arrancar do subdesenvolvimento? Nada, absolutamente nada e assim continuará a ser.
A onda da violência e criminalidade que assola nosso País, nosso estado e particularmente João Pessoa, tem recebido de sociólogos, psicólogos e cientistas políticos, os comentários mais enganados e mais equivocados, trazendo à tona teorias bizarras da exclusão social, como causa de nossas mazelas .
A verdadeira origem da violência descontrolada que nos atinge, nasce exclusivamente de um aparelho policial mal preparado e desmotivado, de leis amenas, leves, de um judiciário lento, de uma consciência social que vitimiza os culpados e execra os que não estão na linha da miséria.No Brasil, quem possui alguma coisa, quem trabalha duro para conseguir e conservar a propriedade, passa a ser o grande responsável pela criminalidade e transforma-se no grande vilão da sociedade.
Leis severas, polícia preparada para prevenção e repressão, ministério público e judiciário eficientes, essa é a formula para controlar e diminuir a violência , uma característica inerente ao ser humano. O resto é retórica balofa e vazia de sociólogos, de psicólogos, de cientistas políticos, de pastores religiosos, para enfeitar congressos de Ciências Sociais.
Atenciosamente,
Carlos Alberto Jales.”
Viva!!!
O Supremo Tribunal Federal tem estado em perfeita sintonia com a sociedade brasileira, nos últimos tempos: em torno de 20 dias tomou duas decisões importantíssimas para a consolidação da democracia brasileira e para dignificar mais a atividade política.
As decisões
Depois de garantir ao Conselho Nacional de Justiça a prerrogativa de fiscalizar e punir juizes inescrupulosos, ontem o STF resolveu: a Lei da Ficha Lima é pra valer e já a partir deste ano. Quantos ficarão de fora da eleição este ano, com esta decisão?
Pelejando
Há dez anos a Rua Arnaldo Costa, no bairro do Cristo, consta no cadastro da prefeitura como sendo pavimentada. Até hoje é em terra batida. Os moradores há um ano reclamam o direito à pavimentação, mas só prometem e não resolvem nada.
Entrevista
Nesta sexta-feira, o entrevistado do programa Correio Debate, da Rádio 98.3 FM (CorreioSat) será o senador Cícero Lucena (PSDB). O programa está fazendo uma série de entrevistas com os pré-candidatos à Prefeitura de João Pessoa.
Por que, hein?!
Políticos de todas as tendências e partidos disputaram espaços na avenida por onde passou o “Muriçocas de Miramar”. Todos, diga-se de passagem, assediados e aplaudidos. Só não compareceu o governador Ricardo Coutinho. Também…
Vê se pode!
Estimulados por uma campanha ostensiva do Hemocentro pela doação de sangue, vários doadores foram ontem ao órgão. Quebraram a cara: funcionários não foram ao trabalho, porque era ponto facultativo em função do desfile do “Muriçocas”. Maravilha!
Exorbitando
De Cabedelo a Cajazeiras, usuários comentam com desconfiança o aumento exorbitante nas contas de água, que a Cagepa está cobrando a partir deste mês. Uma constatação: a Cagepa está quebradíssima e é notório o “esforço” para se tirá-la do vermelho.