História da Paraíba: A rainha da música nordestina

O nome verdadeiro é Inês Caetano de Oliveira, mas apelidos carimbados como “Luiz Gonzaga de Saias” ou simplesmente Marinês fazem quase todos lembraram do ritmo peculiar e suas canções. Considerada a “Rainha do Xaxado”, a cantora e compositora é uma das figuras mais lembradas no período junino, como o Maior São João do Mundo, em Campina Grande.

Além da característica forte do xaxado, que lhe rendeu o título de rainha, ainda flertou com o forró, xote e baião e é influência para cantoras consagradas, a exemplo que Elba Ramalho, que não economiza elogios à cantora. Nascida no Sertão de Pernambuco, mudou-se ainda criança para a Paraíba onde se radicou e desenvolveu grande afeto pela cidade de Campina Grande. Marinês é considera ícone na musical brasileira e inerente à história cultural da Paraíba pela contribuição aos ritmos regionais, propagando-os em todo território nacional.

Em 50 anos de carreira foram mais de 30 discos gravados e diversas parcerias musicais. O primeiro disco gravado foi em 1956 já à frente do grupo Marinês e sua Gente, com o qual se consagrou. Precoce, a carreira de Marinês começou em programas de calouros ainda na década de 1940, quando participou de diversos deles e, aos poucos, foi criando a fama de cantora de forró.

Em 1949 formou com o marido Abdias, o Casal da Alegria. Em seguida, o casal juntou-se ao zabumbeiro Cacau e formou um trio. Este trio, no começo dos anos 50 passou a atuar como a Patrulha de Choque do Rei do Baião, especializada em realizar apresentações nas praças das cidades onde Luiz Gonzaga iria tocar, interpretando músicas do seu repertório, anunciando sua chegada nas cidades do interior do Nordeste, num trabalho feito espontaneamente.

Herdeira musical de Marinês, a cantora Elba Ramalho é só elogios à Marinês. “Aprendi muito com ela. O primeiro show que eu vi foi dela, no Rio de Janeiro, e de lá saiu minha inspiração. Fiquei impressionada com a presença de palco daquela mulher tocando triângulo. Fiquei deslumbrada. Ela é um ícone damúsica brasileira”, afirma a cantora. Outra interprete paraibana, a cantora Ceceu, também destaca a influência de Marinês na cultura nacional. “Era uma voz inconfundível e foi uma verdadeira história viva da música. Todos sabiam quando era ela quem estava cantando pois tinha uma presentação muito peculiar. Sua importância e influência são indiscutíveis. Tenho certeza que nesta época de São João serão muitas as homenagens à ela”, ressalta.

A cantora faleceu em maio de 2007, na cidade de Recife, aos 71 anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Em 2003, a cantora havia se submetido a uma cirurgia de implante de uma ponte de safena. O enterro aconteceu na cidade de Campina Grande, no Cemitério da Paz. “Eu me espelhei muito em Marinês e com certeza foi uma grande perda não só para a cena musical porque ela era uma amiga pessoal. Será uma pessoa insubstituível para a música regional e brasileira”, afirma Ceceu.

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