Crime eleitoral: MPE dá prazo para Polícia Federal indiciar traficante

A Polícia Federal ainda não concluiu o inquérito 275/2010, que investiga o envolvimento do suposto traficante Francisco Clemente dos Santos, o ‘Passinho’, com crimes eleitorais durante a campanha do ano passado. No entanto, o Ministério Público Eleitoral (MPE) concedeu mais 90 dias para que o procedimento seja concluído e o acusado indiciado. O procedimento ‘se arrasta’ na delegacia da Polícia Federal de Campina desde outubro do ano passado, quando ele foi preso em uma operação policial.
De acordo com o promotor Demétrius Castor, da 71ª Zona Eleitoral, o prazo tem por objetivo fazer com que a polícia colete mais provas que possam dar subsídios à Justiça e indicar o envolvimento do acusado com o crime. “Na verdade, na época em que o fato aconteceu, a polícia estava investigando ele por outro crime e acabou descobrindo esse possível envolvimento com ilícitos eleitorais. O delegado mandou pedir mais prazo e, como se trata de um procedimento complexo, concedemos”, observou.
O promotor adiantou que aguarda o fim das investigações policiais para que o suposto traficante possa ser indiciado pelo crime eleitoral. “Ele foi preso com bastante material e a polícia está tentando esclarecer essa situação”, assinalou.
‘Passinho’ foi preso por equipes da Polícia Federal e Militar no bairro do Jeremias, região em que segundo a polícia possui influência sobre o tráfico de drogas. Com ele, foram apreendidos mais de 100 cópias de títulos eleitorais, contas de energia, panfletos apócrifos, cerca de R$ 3 mil, além de outros materiais que indicariam a participação dele em crimes como compras de votos.
A prisão em flagrante aconteceu depois que o acusado foi apontado como um dos autores do assassinato do jovem Rafael Dantas da Silva, de 26 anos, conhecido como Rafinha, executado com mais de 15 tiros no bairro do Jeremias. Na época, os advogados dele negaram o envolvimento do acusado com os crimes, mas até agora ele continua preso em um dos presídios de segurança máxima de João Pessoa, respondendo pelo assassinato.
O delegado que investiga o caso, Gustavo Vieira Barros, preferiu não adiantar detalhes sobre o caso. Segundo ele, o inquérito está sob segredo de Justiça. “O que eu posso dizer é que está sendo apurado e nós não podemos falar sobre o assunto”, frisou.
No TRE, tramita uma Aije , denunciando suposto crime eleitoral de ‘Passinho’ em favor dos candidatos ao Governo e ao Senado.

Liderança no Jeremias e Araxá

Para as polícias Federal e Civil, Francisco Clemente dos Santos, o ‘Passinho’, mantém o controle sobre o tráfico de drogas nos bairros do Jeremias e Araxá há anos. No dia em que foi preso com os títulos eleitorais e os materiais de campanha, o suposto traficante estava sendo alvo de uma investigação ligada ao tráfico de drogas e com um de seus telefones grampeados pela Polícia Federal. O grampo possibilitou, ainda, que os policiais descobrissem o envolvimento dele com o assassinato de Rafael Dantas. Segundo as investigações, ele teria dado ordens para que outros comparsas executassem a vítima. Já em 2008 a polícia, ao prendê-lo, já o considerava como um dos maiores chefes do tráfico de entorpecentes da região polarizada por Campina Grande.
Enquanto esteve preso, ele também chegou a ser acusado de envolvimento na morte do detento Katiano Barros Veras, mas foi absolvido pela Justiça anos depois.

About these ads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s